terça-feira, 7 de setembro de 2010

Voluntarismo terceirizado (ou a cortesia com o chapéu alheio)

É impressionante analisar a base de praticamente todas as campanhas para reeleição dos mandatários de cargos ao legislativo de qualquer esfera. O discurso é sempre o mesmo - fulano trouxe mais dinheiro para o estado/região, sicrano teve mais emendas aprovadas etc.

O engraçado é que a campanha é para o legislativo e não para o cargo de lobista ou interveniente pecuniário.

Supostamente o legislativo deste país deveria elaborar e fiscalizar o cumprimento das leis (pasme, é por isso que se chama legislativo), mas no Brasil quem mais legisla é o executivo (de novo, você pode não acreditar, mas em qualquer lugar minimamente civilizado, o executivo executa).

Voltando ao tema, não bastassem senadores e deputados declarando que trouxeram milhões para o estado, também o presidente da república teve a ousadia de dizer que investiu zilhões nesta terra.

Vamos pensar a respeito um pouco. Como eu sempre costumo lembrar aos incautos e apedeutas, por definição, o Estado não produz nada. Se não produz, não tem o que vender; não vendendo, não tem receita; se não tem receita, o dinheiro de que necessita é recebido de terceiros, que somos nós, agentes produtivos, que pagamos a conta.

Quando suas excelências dizem que trouxeram ou investiram no estado querem, na verdade, dizer que devolveram um pouco do que nós lhes confiamos através dos impostos pagos à custa de muito esforço, e que hoje já ultrapassa 40% do PIB do país e que, em alguns casos, atinge 70% do valor do que se compra.

Visto dessa forma, o grande favor feito por esses hipócritas é quase um despautério, porque é exatamente a mesma situação de alguém que toma à força o dinheiro da minha carteira e depois quer agradecimentos por devolver uma parte.

Impressiona ainda mais que muitos eleitores continuem aceitando tais argumentos com a maior naturalidade e ainda aplaudindo os enormes feitos dessa gente.

Vamos esclarecer uma coisa: realmente existem muitos heróis em nossa história mas esses são os que, como você e eu, produzimos e pagamos os impostos.

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