sábado, 7 de agosto de 2010

Recortes de uma semana surreal

Socorro, preciso escrever para não "surtar" de vez!

Antes de mais nada, surrealismo é um movimento artístico, fundado por André Breton, poeta francês e que atingiu as artes plásticas. As obras criadas sob esse movimento caracterizam-se pela mistura do onírico com o real, um estado conhecido por seus artistas como "fantasia supernaturalista".

Provavelmente seu maior expoente, pelo menos na pintura, tenha sido o catalão Salvador Dali, de quem tomo emprestada uma obra para ilustrar este texto.

Salvador Dali e todos os mestres ficariam definitivamente assombrados - e provavelmente mortos de inveja - com nossa capacidade de ignorar os limites do bom senso. Nosso povo e nossos governantes não se dão conta da confusão criada a partir desse non-sense coletivo.

A semana que termina foi exemplar.

Nosso líder maior, depois de ter dito que se meter na sentença de morte por apedrejamento de uma mulher iraniana seria "avacalhar" as relações internacionais, resolveu magnanimamente ceder às pressões e mandar um bilhete a seu amiguinho ditador maluco-sopa-de-letrinha Ahmadinejad que, caso a referida senhora o esteja perturbando, o Brasil aceita oferecer-lhe asilo político.

Mr. Mahmoud respondeu que Lula está meio confuso em função das pressões e ninguém mais falou do assunto.

O jornal Estado de São Paulo completou um ano censurado porque ousou publicar documentos que incriminam o clã Sir Ney, donos de dois estados da federação. Ninguém mencionou o fato.

Estamos em plena campanha eleitoral. Todo o contingente de eleitores supostamente está ávido para exercer seu soberano direito de votar, inclusive para substituir o líder maior.

O primeiro debate do ano foi transmitido pela televisão Bandeirantes e - pasme - atingiu a incrível marca de 6 pontos de audiência, enquanto que a partida de futebol transmitida simultaneamente, chegou a 27 pontos! Ninguém comentou nada.

Durante o debate, Serra perguntou a Dilma por que razão o governo havia acabado com os mutirões de saúde. Dilma respondeu que o governo FHC importou navios de Cingapura (como assim? será que só eu ouvi essa cretinice??).

No mesmo debate Joelmir Beting soltou a única pergunta decente do debate, questionando Dilma quanto a incoerência entre endividamento público e a queda de juros. Com a maior cara de pau, ela respondeu que o endividamento caiu no governo petista e ninguém questionou sequer o aumento absolutamente inaceitável das despesas e a redução da capacidade de investimento privado em função da carga tributária.

É incrível mas ao mesmo tempo , tenho sido bombardeado incessantemente por mensagens criticando este, aquele ou todos os políticos e ouço pessoas reclamando da qualidade de nossos representantes, nivelando-os pelos mais rasteiros, demonstramos que não estamos nem um pouco preocupados com o estado geral das coisas.

Vivemos num mundo de sonhos, esperando que os problemas se resolvam sozinhos, como por encanto. Desejamos uma realidade melhor mas apostamos na volatilidade dos problemas, acreditando que tudo não passa de um pesadelo.

Um aviso aos navegantes dos sonhos áureo-róseos: Não espere acordar e encontrar um mundinho melhor. Se você não se dispuser a tomar o leme em suas mãos, alguém fará. O rumo será definido por esse que não se deixa levar pela preguiça.

Entendeu ou quer que eu desenhe?

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